quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Cadeira Buriti: da árvore da vida brota design


O vaivém hipnótico das linhas seduz o olhar. Traça o porte majestoso da Cadeira Buriti, com inspiração enraizada na flora brasileira e na cultura dos povos indígenas e ribeirinhos. O desenho celebra o buritizeiro, imponente palmeira da Amazônia que batiza a peça de mobiliário e enaltece os mitos, os laços de pertencimento, as múltiplas dádivas da chamada “Árvore da Vida”. 

A estética brota na lenda dos índios Tapuia que credita sua origem a um presente de Tupã, entidade sagrada simbolizada pelo trovão. O conto tribal propagado entre gerações narra o desabrochar das folhas verde esmeralda, onde as de localização central formam uma coroa para adornar e proteger a floresta. Nos leitos dos rios e igarapés a palmeira alcança mais de trinta metros de altitude e pode ser vista à distância, reclamando reverência e respeito.

A carga simbólica – somada às nervuras na casca do fruto escarlate – configura o traçado da estrutura elaborada com riqueza de detalhes. O movimento curvilíneo do aço exibe perenidade. O metal envolto pela amarração de corda naval estabelece harmonia na forma ora enérgica, ora sutil. Encosto e assento coroam a poesia do trabalho artesanal; o fio da ancestralidade presente na crença que conecta céu, terra, deus e homens. Sob a criação revestida de contemporaneidade reside o código frondoso da copa do buritizeiro que abriga função, estética e memória. Na simplicidade, o design de alma brasileira cultua nobreza e repousa à sombra de uma palmeira. 
Fruto do buritizeiro (Foto: reprodução)
Palmeira Buriti: imponência na Floresta Amazônica e Cerrado brasileiro (Foto: reprodução)

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Vida longa à regionalidade, às tradições

Em Campina Grande (PB), o Parque do Povo é cenário do Maior São João do Mundo.

A regionalidade está no ar. Porque Junho tem um quê de magia que faz o Nordeste transbordar em referências da cultura ancestral. É o mês da natividade desta porção de terra brasileira que adotei como morada e onde as simbologias afloram para recordar o fio da meada com as origens. Tempo de colheita da terra e da alma. De celebração e reencontros ungidos pelo fogo, fé, ritos, mesa farta. Cores, músicas, danças, risos extravagantes e orações silenciosas estão no mesmo caldeirão das tradições. A fervura é a da miscigenação, da pluralidade dos povos, dos tons de pele, dos sotaques, dos costumes, do religioso e profano.

Difícil de explicar como as festividades aguçam os cinco sentidos. Invadem corpo e coração no misto dos cheiros, sabores, sensações e estampidos.  A tríade dos santos católicos  - Antônio, João e Pedro - toma assento no mesmo espaço dos cultos pagãos em agradecimento à colheita, à fertilidade da mãe Terra, ao alimento. Tudo é sagrado. Das bandeirolas e balões coloridos que se agitam ao vento às fogueiras que conectam terra e céu através da fumaça que incendeia o ambiente. Do banquete onde o milho é protagonista ao xote, forró, xaxado e baião que exorcizam tristeza no compasso da zabumba e gemido da sanfona. Os altares das igrejas e os palcos em praça pública dividem reverências.  

Testemunhar essa explosão cultural na cidade de Campina Grande, na Paraíba, é um privilégio. Converto em aprendizado inesgotável porque a cada ano tudo ressurge em novas perpectivas, como um caleidoscópio. Faço uma imersão nos detalhes, nos códigos, nas entrelinhas e tramas que revestem festa tão grandiosa. Respiro a identidade territorial onde habita e pulsa inspiração para o design. A Poltrona Balão, a Cadeira Chita, a Poltrona Balaio e o Balanço Bodocongó são crias dessa cultura fumegante. Oxalá ela não pare de arder e meu olhar não perca o brilho, a centelha da criação.







terça-feira, 24 de maio de 2016

Traçado de Gratidão

"O traço do design abriga um aprendizado perene e não canso de ser grato"
A palavra gratidão é meu traço. Firme e enérgico para esboçar quanto o design está entrelaçado ao que sou agora. A profissão escolhida embala um presente valoroso: o patrimônio cultural de um Brasil que não se esgota em seu território de milhões de metros quadrados. Presente tangível que alimenta os sentidos e indescritível nas emoções e sentimentos que afloram perante as tradições arraigadas na mestiçagem. Surpresas inesgotáveis nas andanças que descortinam lugares, histórias, paisagens e personagens nunca antes imaginados. 

Na rota da criação, as descobertas se avolumam em experiências que são espelhos. Refletem meus muitos eus. Mato-grossense de nascimento sou de cada pedaço deste País. O solo que piso é minha identidade, minha casa de portas abertas, meu horizonte e remanso. Ora paraibano, amazonense, paulista. Outras vezes catarinense, pernambucano, paraense, carioca... Sou Norte e Sul, de corpo e alma.  E destas origens e pertencimentos nutro o desenvolvimento de produtos, abasteço o novelo criativo com linhas colhidas das múltiplas identidades locais. Tudo é convertido em memória e alimenta um banco de dados que é mais que fotografia digital capturada em tela touch. Os cliques não acompanham o ritmo disparado do coração diante das comunidades artesãs, das florestas sagradas, da imensidão dos rios, das praias de areias intocadas, da arquitetura eclética que sussurra a mistura dos povos. 

O patrimônio imaterial e todo o arcabouço de simbologias nele contido não estão nos pixels das imagens que documentam meus passos pelos muitos brasis. É como um flash, uma aura que conecta sensações e remonta ao momento vivenciado. Estende uma ponte para riquezas encontradas na simplicidade das pessoas, nos seus ofícios, dentro de abraços fraternos, no brilho dos olhos, nos sorrisos cativantes, na recepção calorosa, nos cantos ancestrais de boas-vindas, nas mãos elevadas que emanam energias positivas e distribuem bênçãos. O traço do design abriga um aprendizado perene e não canso de ser grato.
Benjamin Constant, Amazonas: recorte de um Brasil imerso na cultura mestiça.
O curso do Rio Negro conduz ao mergulho nos saberes e ofícios artesanais. 
Curumins do Amazonas: a infância tem seu tempo e tradições.
Dona Rosa, artesã da etnia Tikuna, em Porto Cordeirinho, no Amazonas: generosidade em cada gesto.
Cariri Paraibano: o céu azul e o solo árido emolduram inspiração.  

terça-feira, 19 de abril de 2016

Design na rota da cultura


Pé na estrada é a marca do Estúdio Sérgio J. Matos para nutrir o design com identidade.

O traço segue os vestígios da cultura. Envereda pela regionalidade e celebra as manifestações populares no chão de terra batida. Transita entre estandartes e bandeirolas coloridas que se agitam ao vento anunciando ritos e tradições que narram a formação social brasileira. O desenho esbarra na estética que transborda identidade, onde a miscigenação expõe a mistura de raças e costumes que só a brasilidade contém. Esboça formas elaboradas no fazer artesanal que exaltam a exclusividade gerada no calor das mãos.

Essa é a rota do design adotada pelo Studio Sérgio J. Matos. Desde que abrimos as portas à criação – em novembro de 2010 – colocamos os pés na estrada para viver experiências de um Brasil multicultural que tem muito mais a revelar além dos livros e dos cartões postais. Lançamos o olhar para o entorno - que de tão próximo torna-se invisível – e para horizontes longínquos incrustrados entre lendas e tradições de sua gente. Acumulamos assim um punhado de memórias. São paisagens, rastros da fauna, cores e texturas da flora, festas de rua, burburinhos, geografias habitadas por personagens empenhados em manter vivos os saberes e ofícios herdados dos antepassados. Artesãos de habilidades ímpares.

Todos estes elementos e referências constituem nossa bagagem. Fazem parte de um arquivo que inspira o desenvolvimento de produtos com densidade simbólica e assinatura do feito à mão. Cada poltrona, mesa, cadeira, banco, luminária, fruteira e vaso que integra nosso catálogo traduz a carga identitária da brasilidade descoberta em um momento de emoção e encantamento. Objetos que carregam laços de pertencimento, extratos regionais e conexões do passado com o presente. Design com valor patrimonial. 
Poltrona Acaú: a inspiração vem do mar, dos corais da Praia de Acaú, no litoral paraibano.
O floral da chita dá forma à Luminária Moringa.
A trama artesanal da Poltrona Caçuá celebra tradições, remete à regionalidade.
Banco Afoxê: design que ressoa a festejos de rua e ritos de fé.
A Cadeira Chita guarda memórias dos festejos forrados com o tecido popular.
Colheres de pau são a matéria-prima do Balanço Bodocongó.
A atmosfera dos festejos juninos abriga a criação da Poltrona Balão.
Banco Xique-xique:a natureza árida é terreno fértil para o design que traduz regionalidade. 
O inseto de porte elegante - presente nos tabuleiros do Nordeste - inspira design.

terça-feira, 12 de abril de 2016

O rastro de brasilidade da Cobra Coral

A explosão das cores, o gingado dos fios, a estética hipnótica, a riqueza dos detalhes que ondulam entre mitos e a força da trama artesanal. É o rastro da Cadeira Cobra Coral que figura no ambiente da sétima edição do Brazil S/A, em Milão, Itália. Sob o tema “Brasilidade para Todos”, a feira é expoente do design nacional e acontece paralelamente ao Salão Internacional do Móvel de Milão. Até o dia 17 de abril, a simbólica Universitá degli Studi di Milano vai emprestar sua arquitetura e atmosfera de tradição ao evento.
Sim! A brasilidade ancora em Milão, numa área de 600 metros quadrados e aos olhos ávidos da imprensa internacional especializada e dos milhares de visitantes que descobrem nossa criação. No caldeirão da miscigenação a fervura é da estética multicultural e transborda em objetos de mobiliário e decoração que unem o artesanato à alta tecnologia, os saberes ancestrais à contemporaneidade. É a conexão de passado e presente revestida de inovação e celebração à originalidade. Design com a identidade de muitos brasis pela singularidade regional, pelas marcas que são próprias dos designers por trás de cada peça. Os trabalhos exibem histórias, laços, memórias e narram a trajetória de uma excelência alcançada nas minúcias até converter-se em assinatura.
O Estúdio Sérgio Matos sente-se honrado em fazer parte do Brazil S/A, de uma seleção tão criteriosa que objetiva projetar o nome do design nacional aos quatro cantos. Estamos à vontade, acolhidos pela temática da brasilidade que pauta nosso percurso e alimenta – através da cultura - a criação. A cadeira Cobra Coral está inserida neste contexto. É provocativa no balé sinuoso dos fios, na leveza do aço que se dobra ao movimento e poesia, na carga simbólica que evoca lendas e ritos dos povos da floresta. O feito à mão traduz calor, como o da serpente. Exibe vestígios de uma estética considerada exótica e ousada. Bem brasileira.

A trama artesanal reveste o aço que ondula em movimentos sutis.
A arquitetura tradicional da "Universitá degli Studi di Milano" abriga o Brazil S/A

quarta-feira, 30 de março de 2016

Anatomia de um Brasil Original


No curso do design, entre as idas e vindas ao Amazonas, passo agora a me dar conta da anatomia que reveste o Projeto Brasil Original. Percebo que a iniciativa do Sebrae-AM que funde design e artesanato com a consultoria do Estúdio Sergio J. Matos é feita de corpos, corações, peles, músculos, sorrisos abertos e olhos cativantes. Envolve mais que mãos na arte de transformar a matéria-prima colhida do entorno em objetos que narram identidade.

Na originalidade deste território onde reina uma maioria de artesãs indígenas e ribeirinhas, curumins cercam mães numa natural e descompromissada imersão de saberes e ofícios. Logo, a cultura ancestral – como num passe de mágica - chegará às pontas dos dedos miúdos para difundir a herança dos antepassados. Até lá, são crianças e deixam que pés ligeiros as levem pelos leitos dos rios e caminhos da floresta. Com cabelos ao vento e peles douradas ao sol, vestem fantasias imaginárias e assumem papéis que invocam mitos da natureza sagrada. As gargalhadas livres desenham bocas de canto a canto da face, enquanto os olhos acendem chispas de uma verdadeira felicidade.

A anatomia deste Brasil Original exibe força. Ela vem do coração. O vigor está expresso no semblante de cada artesã, na contração do rosto que sinaliza concentração, na respiração serena. Também se espalha na habilidade de comandar pés e mãos no perfeito balé de fios que se entrelaçam, enquanto a voz suave não perde o tom de carinho com as crias que descansam no colo. Eretas ou não - na posição que melhor acomoda a criação - são mulheres multifacetadas donas de uma flexibilidade invejável para a lida da agricultura, do artesanato e da família. Creem que tudo está ao alcance das mãos. Basta querer. 


[English Text] 

Anatomy of an Original Brazil

In design course, between the comings and goings to Amazon, I am now, realizing the anatomy that coats the Original Brazil Project. I realize the initiative of Sebrae-AM merges design and crafts with the consultancy of Sergio J. Matos Studio is made of bodies, hearts, skins, muscles, open smiles and captivating eyes. Involves more than hands in the art of transforming the raw material, harvested from the surrounding areas in objects that narrate identity.

The originality of this territory where a majority of indigenous riverside craftswomen and kids, that surrounds mothers in a natural and uncompromising immersion of knowledge and crafts. Soon, the ancestral culture - like a magic trick - will end at their fingertips children, to spread the legacy of their ancestors. Until then, they are kids and let the quick feet take by riverbeds and forest paths. With hair blowing in the wind and Golden skins of the Sun, wear costumes and imaginary roles that invoke sacred myths. The free laughs, draws moths from corner to corner of their faces, while their eyes ignites sparks of genuine happiness.

The Anatomy of this Original Brazil shows strength. It comes from the heart. This force is expressed in the countenance of every artisan, contraction of the face that signals concentration, breathing alive. Also spreads on the ability to lead hands and feet in perfect Ballet of wires that are interwoven, while the soft voice does not lose the tone of affection with their creations resting on their laps. Upright or not - in the position that best accommodates the creation - are multi-faceted women, owners of enviable flexibility, to deal with agriculture, crafts and family. They believe that everything is within the reach of hands. Just want it to.  
Fusão de corpo, mente e coração na arte do feito à mão.
Imersão na cultura ancestral: alimento para as gerações futuras. 
Curumins: pés ligeiros e gargalhadas livres. 

quarta-feira, 9 de março de 2016

O design sinuoso e provocante da Cobra Coral


Cadeira Cobra Coral: o mobiliário pode ser provocativo e ousado. (Foto: Marcos Cimardi)
O exotismo ondula em contornos e cores. É a marca da cadeira Cobra Coral que toma assento no design ousado e provocativo. A estrutura de aço inoxidável curva-se ao efeito hipnótico do revestimento executado com corda naval nos tons da serpente. O coral, preto e branco alternam-se num balé sinuoso e deixa transparecer o cuidado de mãos habilidosas por trás do cingir artesanal.

No encosto da peça o entrelaçamento enfatiza leveza e movimento. Exalta a beleza da cobra coral que habita todo o território brasileiro, encerra mitos da floresta e serpenteia poesia na música homônima de Caetano Veloso: “Para de ondular, agora, cobra coral/ A fim de que eu copie as cores com que te adornas/ A fim de que eu faça um colar para dar à minha amada/ A fim de que tua beleza, teu langor, tua elegância/ Reinem sobre as cobras não corais”.

A peça de mobiliário guarda o posto de primeira cadeira no portfólio do Estúdio desde sua abertura, há cinco anos. Lançada durante a Paralela Móvel, a estrutura simples contrasta com o porte imponente dos sofás e poltronas e mantém em comum a assinatura têxtil da amarração feita à mão. A força das cores e toda carga simbólica e mítica que reveste as serpentes a torna instigante e orgânica. Deixa um rastro de vivacidade. 

[English Text] 


The sinuous design of Coral Snake

The exoticism curls to outlines and colors. Is the mark of the Coral snake Chair, which takes a seat on the daring and provocative design. The stainless steel structure bends to the hypnotic effect of the coating with naval rope in shades of the serpent. Coral, black and white alternate in a sinuous Ballet, suggesting a careful, skilled hand behind the stick.

In the back of the piece, the interlacing emphasizes lightness and movement. Exalts the beauty of coral snake that inhabits the entire Brazilian territory, closed forest myths and weaves poetry into music by Caetano Veloso: "Stop curls coral snake/ Now that I copy the colors you adenosine/ So that I make a necklace to give to my beloved/ So that your beauty your laziness, your elegance/ Reign on the coral snakes".

The piece holds the position of the first Chair in the Studio's portfolio since its opening five years ago. Launched during the Mobile Parallel, simple structure contrasts with the imposing of sofas and armchairs and maintains in common, textile signature of mooring. The power of colors and all symbolic and mythical of snakes makes them provoking and organic. Leaves a trail of liveliness.  
Lançamento da Cobra Coral no MuBE , durante a Paralela Móvel.  (Foto: Marcos Cimardi)
Na serralheria, o aço se dobra ao desenho sinuoso. (Foto e arte: Rennan Oliveira)
Inspiração: as cores da cobra coral são reproduzidas na amarração com corda naval. (Foto: Reprodução) 


    

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

De volta à originalidade


A fusão do design com o artesanato – essência do Projeto Brasil Original - me traz de volta ao estado do Amazonas. É como retornar à casa. Encontro amigos, braços abertos, afagos e sorrisos largos. Volto para a alegria espontânea dos indígenas e ribeirinhos, para a simplicidade pautada em riquezas que não cabem na (des)ordem da selva de concreto. Volto para respirar outros valores e a atmosfera pulsante da floresta. Me deixo oxigenar pelo verde de matizes infinitas e absorvo a energia indescritível que dela emana. Cada cor, som, sopro, reflexo, cheiro e mistério guardo como tesouros etiquetados na memória. Quero revisitá-los inúmeras vezes, sem correria, sempre que a inspiração pedir e a saudade exigir a sensação de liberdade e prazer.

Volto para onde a vida transborda em sentimentos que afloram o sentido do meu fazer profissional. A natureza múltipla em formas, cores e texturas; os saberes ancestrais revestidos de mitos e simbologias; a humanização do processo criativo que arquiteta sonhos. Não venho ensinar. Como consultor do projeto - através do Sebrae Amazonas - sou parte de um escambo onde a cultura é moeda de troca. É verdadeira, olho no olho, guiada por narrativas que ancoram valor patrimonial. Nas fibras naturais que se desdobram em objetos - no habilidoso balé do entrelaçamento artesanal - há elos de pertencimento e continuidade. Vestígios dos povos indígenas das etnias Kanamary, Marubo e Tikuna que lançaram nas cidades de Tabatinga, Atalaia do Norte e Benjamin Constant a semente do Brasil Original. Um território de descobertas inesgotáveis que não canso de aportar, de voltar num misto de ânsia e serenidade.

[English Text]


Back to Originality

The fusion of design with crafts-essence of Original Brazil Projec – brings me back to the Amazon. It is like comming back home. Met friends with opened arms, and large smiles. I back to the spontaneous joy of indigenous and riverside peoples, for the simplicity guided in richness that does not fit on the (dis)order of the concrete jungle. I back to breathe other values and the pulsing atmosphere of the forest. Leave me respire the infinity green tints and absorb that indescribable energy. Each color, sound, breath, reflex, smell and mystery I keep like treasures, saved in memory. I want to visit them repeatedly, with no rush, whenever inspiration asks me that feeling of freedom and pleasure.

I come back where the life overflows feelings that outcrops the sense of my professional duty. The nature multiplies in forms, colors and textures; the ancestral knowledge coated with myths and symbols; the humanization of the creative process, that build dreams. I am not here to teach. As the project consultant – through Sebrae Amazonas – I am a part of the barter where culture is the exchange coin. It is true, eye to eye, driven by narratives that provide equity value. In natural fibers that unfold into objects - in skilled craft - interlacing ballet there are ties of belonging and continuity. Traces of indigenous ethnicities, Marubo Tikuna and Kanamary that seeded in Tabatinga, Atalaia do Norte and Benjamin Constant Brazil Original seed. A land of endless discoveries you don't tire of the dock, back in a mixture of eagerness and serenity.
A floresta pulsa em vitalidade e fornece matéria-prima e inspiração.

O verde da maior floresta do mundo abriga outros tons. 
O Projeto Brasil Original configura troca de experiências e conhecimentos.
A fusão do design com o artesanato arquiteta sonhos de gente de fibra. 


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Brasilidade na Maison & Objet, em Paris

Torre Eiffel, em Paris (Foto: reprodução)
O fio da cultura me traz à Maison & Objet, um dos mais importantes eventos internacionais do design e decoração. O convite me coloca na edição de Paris, no ciclo de conferências que entre os dias 22 e 26 de janeiro expõe o design que move o cenário mundial. Sob a perspectiva da criação pautada no entorno, na identidade local e no fazer artesanal carregado de minúcias, vou compartilhar com os designers Kenneth Cobonpue (Filipinas) e Gaël Manes (França) experiências que nos unem e nos tornam diversos - a um só tempo – pelo traço forjado nas nossas histórias e memórias.

Para esta conversa trago um elemento que aglutina e simplifica respostas às mais diferentes questões sobre o que inspira e reveste o meu processo criativo: a cultura é matéria-prima essencial. É o Brasil mestiço, da fusão dos povos colonizadores, que dá morada ao desenvolvimento das peças de mobiliário e decoração que sobrepõem forma e função com densidade simbólica. Bagagem material e imaterial resistente ao tempo e presente nas manifestações, artes e ofícios populares. A identidade brasileira é a bússola que orienta e sublinha o perfil do Estúdio com produtos que celebram o feito à mão, os saberes ancestrais, o calor humano, a regionalidade contida nas formas, cores e texturas.

Quero referendar como as técnicas artesanais revestem a nossa produção e como o Estúdio – de forma permanente - alarga horizontes e amplia contatos com artesãos que detêm saberes herdados de seus antepassados. O processo produtivo está alicerçado na troca de experiências. É mais que executar formas. Constitui uma imersão na realidade local, na atmosfera que envolve cada etapa com histórias de quem deixa na peça o olhar cuidadoso, o calor das mãos. O produto final é narrativa. Conta recortes da nossa formação social e histórica, exalta materiais do entorno e do cotidiano, ressuscita laços de pertencimento. A originalidade é a brasilidade, o valor patrimonial. 

[English Text]


Brazilianness at Maison & Object in Paris

The culture wire brings me to Maison & Objet, one of the most important design and decoration international event. The invitation puts me in Paris, in the cycle of conferences between 22 and 26 January exposes the design that moves the world. From the perspective of creation based on the environment, on local identity and do craft loaded with minutiae, I will share with the designers Kenneth Cobonpue (Philippines) and Gaël Manes (France) experiences that unite us and make us different, by the trace forged in our stories and memories.

For that conversation, I brought an element that unites and simplifies answers to many different questions about what inspire me and is my creative process: the culture is an essential raw material. Brazil is mestizo, from the merge of settlers peoples, which address the development of pieces of furniture and decoration that overlap form and function with symbolic density. Material and immaterial luggage, which resists the weather and presents in demonstrations, arts and crafts. The Brazilian identity is the compass that guides and underlines the Studio profile products that celebrate the handmade, the forgotten ancestors, and the warmth, the regionality contained in the shapes, colors and textures.

I want a referendum on how artisanal techniques are our production and as the Studio, permanently, broadens horizons and expands contacts with artisans who holds knowledge inherited from their ancestors. The production process is based on Exchange of experiences. It's more than execute forms. Is an immersion in the local reality, in the atmosphere that involves each step with stories of who leaves in the play the careful look at, the heat of your hands. The final product is narrative. Account of our social training clippings and historical materials of the surroundings and exalts the everyday, resurrects ties of belonging. Originality is the Brazilian way, the heritage value.
A Maison&Objet é um dos mais influentes eventos internacionais do design e decoração.
A Poltrona Balão exalta a identidade regional e o feito à mão que pauta o conteúdo da nossa palestra.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Cenografia no tom da cultura

O algodão colorido é trama e tom da cenografia do Salão de Artesanato da Paraíba.


O algodão colorido orgânico é o fio condutor. A pluma que já nasce em tons terrosos empresta seu valor patrimonial à cenografia do XXIII Salão de Artesanato da Paraíba. O projeto idealizado pelo Estúdio Sérgio J. Matos faz uma intrincada tessitura de elementos que remetem à cadeia produtiva, desde os campos áridos do agreste do Estado ao fabrico de têxteis com representação expressa nos teares de engrenagem artesanal.

O ponto de partida conceitual da cenografia rememora o ciclo do “ouro branco” na história econômica e social do Nordeste, onde a Paraíba desempenhou papel de relevância no século passado. É o passaporte para adentrar no universo da recente ascensão do algodão colorido como símbolo de sustentabilidade e matéria-prima de produtos do novo luxo no mercado internacional. A inspiração está ancorada no valor patrimonial do produto - com certificação de Indicação Geográfica concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) - e cultiva referências culturais, históricas e territoriais que o tornam genuinamente paraibano. 

A ambientação do hall de entrada convida a uma imersão na trama do algodão colorido. Fios entrecruzados revestem o teto e as paredes laterais e simulam uma grande peça têxtil recém saída do tear exposto na porta principal. No jogo de luz e sombra, manequins flutuam com a coleção da marca Natural Cotton Color. Na área de descanso, a atmosfera é a dos antigos armazéns de algodão. As sacas de plumas empilhadas dão vida a sofás e a iluminação intimista traduz aconchego.

Como em um caminho inverso ao da cadeia de produção, o roteiro do Salão termina na plantação imaginária do algodão, onde galhos vermelhos suspensos cobrem a praça de alimentação. É o espaço para as coisas que brotam da terra, que têm sabor de cultura e alimentam corpo e alma com histórias e saberes ancestrais. Coisas de gente genuína e de fibra, como o próprio algodão que dá o tom à cenografia do maior evento da arte popular na Paraíba. 

[English Text]


Scenography at the culture tone

The colorful organic cotton is the guiding wire. The plume that is born in earthy tones lends its heritage value to the scenography of the Paraíba Craft Salon XXIII. The project conceived by Sergio J. Matos Studio makes an intricate mixture of elements that refer to the production chain, from the arid fields of the State the manufacture of textiles with representation expressed in artisanal gear looms.

The conceptual starting point of the exhibition design recalls the cycle of "white gold" in economic and social history of the Northeast, where the Paraiba played a role of relevance in the last century. Is the Passport to enter the universe of the recent rise of colorful cotton as a symbol of sustainability and raw material for new products in the international market. The inspiration is anchored in the equity value of the product - certification of geographical indications granted by the National Institute of Intellectual Property (INPI) - and nurtures cultural, historical and territorial references that make it genuinely Paraíba born.

The ambiance of the lobby invites you to an immersion into the colorful cotton plot. Interwoven strands lining the ceiling and sidewalls, simulating a large textile piece fresh, out of the loom above the front door. In a game of light and shadow, dummies floating with the collection of Natural Cotton Color mark. At the rest area, the atmosphere is that of the old cotton warehouses. The bags of pilled plumes give life to sofas and intimate lighting translates coziness.

Like in an inverse path of the production chain, the script of the Saloon finishes on the imaginary plantation of the cotton, where suspended red branches cover the food court. It is the place of the things that springs from the earth, which has the flavor of the culture and feed body and soul with stories and ancestral knowledge. Things of genuine and fiber people, like the same cotton fiber, making the tone of scenography of the main event of popular art of Paraíba.
Manequins flutuam com coleção de roupas produzidas com o algodão colorido da Paraíba.
As sacas de algodão, como em um antigo armazém, dão vida aos sofás da área de descanso.
Na área de descanso as luminárias com fio de algodão colorido criam ambiente intimista.
Os galhos vermelhos suspensos no teto da praça da alimentação simulam campos de algodão.